SEMEANDO CONHECIMENTO

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"MAS, TENDO SIDO SEMEADO, CRESCE." Jesus. (Marcos, 4:32.)


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A CRIANÇA

Levantará o homem o próprio ninho à plena altura, estagiando no tope dos gigantescos edifícios de cimento armado...

Escalará o fastígio da ciência, povoando o espaço de ondas múltiplas, incessantemente convertidas em mensagens de som e cor.

Voará em palácios aéreos, cruzando os céus com a rapidez do raio...

Elevar-se-á sobre torres poderosas, estudando a natureza e movimento dos astros...

Erguer-se-á vitorioso, ao cimo da cultura intelectual, especulando sobre a essência do Universo...

Entretanto, se não descer, repleto de amor, para auxiliar a criança, no chão do mundo, debalde esperará pela humanidade melhor.

Na infância, surge, renovado, o germe da perfeição, tanto quanto na alvorada recomeça o fulgor do dia.

Estende os braços generosos e ampara os pequeninos que te rodeiam.

Livra-os, hoje, da ignorância e da penúria, da preguiça e da crueldade, para que, amanhã, saibam livrar-se do crime e do sofrimento.

Filha de tua carne ou rebento do lar alheio, cada criança é vida de tua vida.

Aprende a descer para ajudá-la, como Jesus desceu até nós para redimir-nos.

Se a recuperação da infância para a glória do bem, todo o progresso humano continuará oscilando nos espinheiros da ilusão e do mal.

Não duvides que, ao pé de cada berço, Deus nos permite encontrar o próprio futuro. 
De nós depende fazê-lo trilho perigoso para a descida à sombra ou estrada sublime para ascensão à luz.


A CRIANÇA - EMMANUEL - Francisco Cândido Xavier - Livro: "Taça de Luz" 

A VERDADE, QUANDO DITA COM SINCERIDADE E FRANQUEZA RUDES, PODE RETARDAR O PROGRESSO ESPIRITUAL PELA DOR QUE CAUSA?

– A verdade é a essência espiritual da vida.

Cada homem ou cada grupo de criaturas possui o seu quinhão de verdades relativas, com o qual se alimentam as almas nos vários planos evolutivos.

O coração que retém uma parcela maior está habilitado a alimentar seus irmãos a caminho de aquisições mais elevadas; todavia, é imprescindível o melhor critério amoroso na distribuição dos bens da verdade, porquanto esses bens devem ser fornecidos de acordo com a capacidade de compreensão do Espírito a que se destina o ensinamento, de maneira que o esforço não se faça acompanhar de
resultados contraproducentes.

Ainda aqui podemos examinar os exemplos da natureza material.

A nutrição de um menino deve conter a substância mantenedora da vida, mas não pode ser análoga à nutrição do adulto.

A despreocupação  nesse assunto poderia levar a criança ao aniquilamento, embora as substâncias ministradas estivessem repletas de elementos vitais. 


O CONSOLADOR – item 193 - Emmanuel – Francisco C Xavier

COMO DEVEMOS EFETUAR NOSSA AUTO­EDUCAÇÃO ESCLARECIDA PELA LUZ DO EVANGELHO NOS PROBLEMAS DAS ATRAÇÕES SEXUAIS CUJAS TENDÊNCIAS EGOÍSTAS TANTAS VEZES NOS LEVAM A ATITUDES ANTI-FRATERNAIS?

– Não devemos esquecer que o amor sexual deve ser entendido como o impulso da vida que conduz o homem às grandes realizações do amor divino, através da progressividade de sua espiritualização no devotamento e no sacrifício.

Toda vez que experimentardes disposições anti-fraternais em seu  círculo, isso significa que preponderam em vossa organização  psíquica as recordações prejudiciais, tendentes ao estacionamento na marcha evolutiva.

É aí que urge o esforço da auto­educação, porquanto toda criatura necessita
resolver o problema da renovação de seus próprios valores.

Haveis de observar que Deus não extermina as paixões dos homens, mas fá­ 
las evoluir, convertendo­as pela dor em sagrados patrimônios da alma, competindo às criaturas dominar o coração, guiar os impulsos, orientar as tendências, na evolução sublime dos seus sentimentos.

Examinando­se, ainda, o elevado coeficiente de viciação do amor sexual, que os homens criaram para os seus destinos, somos obrigados a ponderar que, se
muitos contraem débitos penosos, entre os excessos da fortuna, da inteligência e do poder, outros o fazem pelo sexo, abusando de um dos mais sagrados pontos de
referência de sua vida.

É por esse motivo que observamos, muitas vezes, almas numerosas aprendendo, entre as angústias sexuais do mundo, a renúncia e o  sacrifício, em marcha para as mais puras aquisições do amor divino.

Depreende­se, pois, que ao invés da educação sexual pela satisfação dos instintos, é imprescindível que os homens eduquem sua alma para a compreensão sagrada do sexo. 

O CONSOLADOR – item 184 - Emmanuel – Francisco C Xavier

OS PAIS ESPIRITISTAS DEVEM MINISTRAR A EDUCAÇÃO DOUTRINÁRIA A SEUS FILHOS OU PODEM DEIXAR DE FAZÊ-­LO INVOCANDO AS RAZÕES DE QUE EM MATÉRIA DE RELIGIÃO APRECIAM MAIS A PLENA LIBERDADE DOS FILHOS?

O período infantil, em sua primeira fase, é o mais importante para todas as bases educativas, e os pais espiritistas cristãos não podem esquecer seus deveres de
orientação aos filhos, nas grandes revelações da vida.

Em nenhuma hipótese, essa primeira etapa das lutas terrestres deve ser encarada com indiferença.

O pretexto de que a criança deve desenvolver­se com a máxima noção de
liberdade pode dar ensejo a graves perigos.

Já se disse, no mundo, que o menino livre é a semente do celerado.

A própria reencarnação não constitui, em si mesma, restrição considerável à independência absoluta da alma necessitada de expiação e corretivo?

Além disso, os pais espiritistas devem compreender  que qualquer indiferença nesse particular pode conduzir a criança aos prejuízos religiosos de outrem, ao apego do convencionalismo e à ausência de amor à verdade.

Deve-se nutrir o coração infantil com a crença, com a bondade, com a esperança e com a fé em Deus. Agir contrariamente a essas normas é abrir para o faltoso de ontem a mesma porta larga para os excessos de toda sorte, que conduzem ao aniquilamento e ao crime.

Os pais espiritistas devem compreender essa característica de suas obrigações sagradas, entendendo que o lar não se fez para a contemplação egoística da espécie, mas, sim, para santuário onde, por vezes, se exige a renúncia e o 
sacrifício de uma existência inteira. 

O CONSOLADOR – item 113 - Emmanuel – Francisco C Xavier

É JUSTA A FUNDAÇÃO DE INSTITUTOS PARA A EDUCAÇÃO SEXUAL?



– Quando os professores do mundo estiverem plenamente despreocupados das tabelas administrativas, dos auxílios oficiais, da classificação de salários, das
situações de evidência no magistério, das promoções, etc., para sentirem nos
discípulos os filhos reais do seu coração, será acertado cogitar­se da fundação de
educandários dessa natureza, porquanto haverá muito  amor dentro das almas, assegurando o êxito da iniciativa.

Os professores do mundo, todavia, considerando o quadro legítimo das exceções, ainda não passam de servidores do Estado, angustiados na concorrência
do profissionalismo.

Na sagrada missão de ensinar, eles instruem o intelecto, mas, de um modo geral, ainda não sabem iluminar o coração dos discípulos, por necessitados da própria iluminação.

Examinada a questão desse modo, e atendendo às circunstâncias das posições evolutivas, consideramos que os pais são os mestres da educação sexual de seus filhos, indicados naturalmente para essa tarefa, até que o orbe possua, por toda
parte, as verdadeiras escolas de Jesus, onde a mulher, em qualquer estado civil, se integre na divina missão  da maternidade espiritual de seus pequenos tutelados e onde o homem, convocado ao labor educativo, se transforme num centro de paternal amor e amoroso respeito para com os seus discípulos. 


O CONSOLADOR – item 111 - Emmanuel – Francisco C Xavier

QUAL A MELHOR ESCOLA DE PREPARAÇÃO DAS ALMAS REENCARNADAS NA TERRA?



– A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do  sentimento e do caráter.

Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas, só o instituto da família pode educar.

É por essa razão que a universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem.

Na sua grandiosa tarefa de cristianização, essa é a profunda finalidade do 
Espiritismo evangélico, no sentido de iluminar a consciência da criatura, a fim de
que o lar se refaça e novo ciclo de progresso espiritual se traduza, entre os homens, em lares cristãos, para a nova era da Humanidade. 


O CONSOLADOR – item 110 - Emmanuel – Francisco C Xavier

PONTOS PERIGOSOS PARA OS PAIS

Desconsiderar a importância do exemplo na escola do lar.

Ignorar que os filhos chegam à reencarnação através deles, sem serem deles.

Transformar as crianças em bibelôs da família, fugindo de ajudá-las na formação do caráter desde cedo.

Ajudar os filhos inconsideradamente tanto quanto sobrecarregá-los de obrigações incompatíveis com a saúde ou a disposição que apresentem.

Distanciar-se da assistência necessária aos pequeninos sob o pretexto de poderem remunerar empregados dignos, mas incapazes de substituí-los nas responsabilidades que receberam.

Desconhecer que os filhos são Espíritos diferentes, portadores da herança moral que guardam em si mesmos, por remanescentes felizes ou infelizes de existências anteriores.

Desejar que os filhos lhes sejam satélites, olvidando que eles caminham na trajetória que lhes é peculiar, com pensamentos e atitudes pessoais.

Desinteressar-se dos estudos que lhes dizem respeito.

Relegar-lhes as mentes às superstições e fantasias, sem prestar-lhes explicações honestas em torno do mundo e da vida.

Não lhes pedir trabalho e cooperação na medida das possibilidades.

De Estude e Viva, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, André Luiz  

EDUCAÇÃO - PRIMEIRAS LIÇÕES DE MORAL DA INFÂNCIA

De todas as chagas morais da sociedade, o egoísmo parece a mais difícil de extirpar.
Com efeito, ela o é tanto mais quanto mais alimentada pelos mesmos hábitos da educação.
Tem-se a impressão que, desde o berço, a gente se esforça para excitar certas paixões que, mais tarde, se tornam uma segunda natureza, e nos admiramos dos vícios da sociedade, quando as crianças os sugam com o leite.
Eis um exemplo que, como cada um pode julgar, pertence mais à regra do que à exceção.

Numa família de nosso conhecimento há uma menina de quatro a cinco anos, de rara inteligência, mas que tem os pequenos defeitos das crianças mimadas, ou seja, é um pouco caprichosa, chorona, teimosa, e nem sempre agradece quando lhe dão alguma coisa, o que os pais levam a peito corrigir, porque, fora desses pequenos defeitos, segundo eles, ela tem um coração de ouro, expressão consagrada.
Vejamos como eles agem para lhe tirar essas pequenas manchas e conservar o ouro em sua pureza.

Certo dia trouxeram um doce à criança e, como de costume, lhe disseram: “Tu o comerás, se fores ajuizada.”
Primeira lição de gulodice.
Quantas vezes, à mesa, não acontece dizerem a uma criança que não comerá tal guloseima se chorar.

Dizem: “Faze isto ou faze aquilo e terás creme”, ou qualquer outra coisa que lhe apeteça; e a criança é constrangida, não pela razão, mas tendo em vista a satisfação de um desejo sensual que incentivam.

É ainda muito pior quando lhe dizem, o que não é menos freqüente, que darão a sua parte a uma outra. Aqui já não é só a gulodice que está em jogo, é a inveja.
A criança fará o que lhe pedem, não só para ter, mas para que a outra não tenha.

Querem lhe dar uma lição de generosidade? Então dizem: “Dá esta fruta ou este brinquedo a alguém.”
Se ela recusa, não deixam de acrescentar, para nela estimular um bom sentimento:
“Eu te darei um outro.” Assim, a criança só se decide a ser generosa quando está certa de nada perder.

Um dia testemunhamos um fato bem característico neste gênero.
Era uma criança de cerca de dois anos e meio, a quem tinham feito semelhante ameaça, acrescentando: “Nós o daremos ao irmãozinho e tu não comerás.”
E, para tornar a lição mais sensível, puseram a porção no prato deste; mas o irmãozinho,levando a coisa a sério, comeu a porção.
À vista disto, o outro ficou vermelho e não era preciso ser pai ou mãe para ver o lampejo de cólera e de ódio que brotou de seus olhos.
A semente estava lançada; poderia produzir bom grão?

Voltemos à menina, da qual falamos.
Como não levou em consideração a ameaça, sabendo por experiência que raramente a executavam, desta vez os pais foram mais firmes, pois compreenderam a necessidade de dominar esse pequeno caráter, e não esperar que a idade lhe tivesse feito adquirir um mau hábito.
Diziam que é preciso formar as crianças desde cedo, máxima muita sábia e, para a pôr em prática, eis o que fizeram: “Eu te prometo – disse a mãe – que se não obedeceres, amanhã cedo darei o teu bolo à primeira criança pobre que passar.”
Dito e feito.
Desta vez não cederam e lhe deram uma boa lição.
Assim, no dia seguinte de manhã, tendo sido avistada uma pequena mendiga na rua, fizeram-na entrar, obrigaram a filha a toma-la pela mão e ela mesma lhe dar o seu bolo.
Acerca disto elogiaram a sua docilidade.
Moralidade: a filha disse: Se eu soubesse disto teria tido pressa em comer o bolo ontem.”
E todos aplaudiram esta resposta espirituosa.
Com efeito, a criança tinha recebido uma forte lição, mas lição de puro egoísmo,da qual não deixará de aproveitar outra vez, pois agora sabe o que custa a generosidade forçada.

Resta saber que frutos dará mais tarde esta semente, quando, com mais idade, a criança fizer aplicação dessa moral em coisas mais sérias que um bolo.
Sabem-se todos os pensamentos que este único fato pode ter feito germinar nessa cabecinha?
Depois disto, como querem que uma criança não seja egoísta quando, em vez de nela despertar o prazer de dar e de lhe representar a felicidade de quem recebe, impõe-lhe um sacrifício como punição?
Não é inspirar aversão ao ato de dar e àqueles que têm necessidade?

Um outro hábito, igualmente freqüente, é o de castigar a criança mandando-a comer na cozinha com os empregados domésticos.
A punição está menos na exclusão da mesa do que na humilhação de ir para a mesa dos criados.

Assim se acha inoculado, desde a mais tenra idade, o vírus da sensualidade,do egoísmo, do orgulho, do desprezo aos inferiores, das paixões, numa palavra, que são, e com razão, consideradas como as chagas da Humanidade.

É preciso ser dotado de uma natureza excepcionalmente boa para resistir a tais influências, produzidas na idade mais impressionável e onde não podem encontrar o contrapeso da vontade, nem da experiência.

Assim, por pouco que aí se ache o germe das más paixões, o que é o caso mais comum, considerando-se a natureza da maioria dos Espíritos que encarnam na Terra, não pode senão desenvolver-se sob tais influências, ao passo que seria preciso espreitar-lhe os menores traços para os abafar.

Sem dúvida a falta é dos pais; mas, é bom dizer, muitas vezes estes pecam mais por ignorância do que por má-vontade.

Em muitos há, incontestavelmente, uma censurável despreocupação,mas em outros a intenção é boa, é o remédio que nada vale, ou que é mal aplicado.

Sendo os primeiros médicos da alma de seus filhos,deveriam ser instruídos, não só de seus deveres, mas dos meios de os cumprir.

Não basta ao médico saber que deve procurar curar: é preciso saber como proceder.
Ora, para os pais, onde os meios de instruir-se nesta parte tão importante de sua tarefa?
Hoje se dá muita instrução à mulher, submetem-na a exames rigorosos, mas jamais exigiram de uma mãe que ela soubesse como agir para formar o moral de seu filho.

Ensinam-lhe receitas caseiras, mas não a iniciam nos mil e um segredos de governar os jovens corações.

Assim, os pais são abandonados, sem guia, à sua iniciativa, razão por que tantas vezes enveredam por falsa rota; também recolhem, nas imperfeições dos filhos já crescidos, o fruto amargo de sua inexperiência ou de uma ternura mal entendida, e a sociedade inteira lhes recebe o contragolpe.

Considerando-se que o egoísmo e o orgulho são a fonte da maioria das misérias humanas, enquanto reinarem na Terra não se pode esperar nem a paz, nem a caridade, nem a fraternidade.
É preciso, pois, atacá-los no estado de embrião, sem esperar que fiquem vivazes.

Pode o Espiritismo remediar esse mal?

Sem nenhuma dúvida; e não vacilamos em dizer que é o único bastante poderoso para o fazer cessar, a saber:
por um novo ponto de vista sob o qual faz encarar a missão e a responsabilidade dos pais;
fazendo conhecer a fonte das qualidades inatas, boas ou más;
mostrando a ação que se pode exercer sobre os Espíritos encarnados e desencarnados;
dando a fé inabalável que sanciona os deveres;
enfim, moralizando os próprios pais.

Ele já prova sua eficácia pela maneira mais racional pela qual são educadas as crianças nas famílias verdadeiramente espíritas.

Os novos horizontes que abre o Espiritismo fazem ver as coisas de modo bem diverso; sendo o seu objetivo o progresso moral da Humanidade, forçosamente deverá projetar luz sobre a grave questão da educação moral, fonte primeira da moralização das massas.

Um dia compreenderão que este ramo da educação tem seus princípios, suas regras, como a educação intelectual, numa palavra, que é uma verdadeira ciência; talvez um dia, também, haverão de impor a toda mãe de família a obrigação de possuir esses conhecimentos, como impõem ao advogado a de conhecer o Direito.
ALLAN KARDEC - REVISTA ESPÍRITA , fevereiro de 1864 

NOSSOS FILHOS NOSSOS REFLEXOS

Nasce a criança, trazendo consigo o patrimônio moral que lhe marca a individualidade antes do renascimento no plano físico; no entanto,

receberá os reflexos dos pais e dos mestres que lhes imprimirão à nova chapa cerebral as imagens que, em muitas ocasiões, lhe influenciarão a existência inteira.

Indiscutivelmente, a  instrução espera-lhe o  espírito em nova fase, enriquecendo-lhe o caminho nesse ou naquele mister;

contudo importa reconhecer  que a palavra escrita, em confronto com a palavra falada ou com  o exemplo direto, revela poderes de repercussão  menos vivos, mormente quando torturada entre os preconceitos da forma gramatical.

É que a voz e a ação prática jazem impregnadas do magnetismo indutivo que se desprende da reflexão imediata, operando significativas transformações para o bem ou para o mal, segundo a natureza que lhes personaliza as manifestações.

As crianças confiadas na Terra ao nosso zelo são portadoras de aparelhagem neuro-cerebral completamente nova em sua estrutura orgânica, à feição de câmara fotográfica devidamente habilitada a recolher impressões.

A objetiva, que na máquina dessa espécie é constituída por um sistema de lentes apropriadas, capazes de colher imagens corretas sobre recursos sensíveis, é representada na mente infantil por um espelho renovado em que se conjugam visão e observação, atenção e meditação por lentes da alma, absorvendo os reflexos das mentes que a rodeiam e fixando-os em si própria, como elementos básicos de conduta.

Os pequeninos acham-se, deste modo, à mercê dos moldes espirituais dos que lhes tecem o berço ou lhes asseguram a escola, assim como a argila frágil e viva ante as idéias do oleiro.

Não podemos, pois esquecer na Terra que nossos filhos, embora carreando consigo a sedimentação das experiências passadas, em estágios anteriores na gleba fisiológica, são companheiros que nos retomam transitoriamente o convívio, quase sempre para se reajustarem conosco, aos impositivos da Lei Divina, necessitados, quanto nós mesmos, de provas e ensinamentos, no que tange ao trabalho da regeneração desejada.

Excetuados aqueles que transcendem os nossos marcos evolutivos, à face da missão particular de que se investem na renovação do ambiente comum, todos eles nos sofrem os reflexos, assimilando impressões entranhadamente perduráveis que, às vezes, lhes acompanham os passos desde a meninice até a morte do corpo denso.

Tratá-los à conta de enfeites do coração será induzi-los a funestos enganos, porquanto, em se tornando ineficientes para a luta redentora, quando se lhes desenvolve o veículo orgânico facilmente se ajustam ao reflexo dominante das inteligências aclimatadas na sombra ou na rebeldia, gravitando para a influência do pretérito que mais deveríamos evitar e temer. 

É assim que toda criança, entregue á nossa guarda, é um vaso vivo a arrecadar-nos as imagens da experiência diária, competindo-nos, pois, o dever de traçar-lhe noções de justiça e trabalho, fraternidade e ordem, habituando-a, desde cedo, á disciplina e ao exercício do bem, com a força de nossas demonstrações, sem contudo, furtar-lhe o clima de  otimismo e esperança.

Acolhendo-a, com amor, cabe-nos recordar que o coração da infância é urna preciosa a incorporar-nos os reflexos, troféu que nos retratará no grande futuro, no qual passaremos todos igualmente a viver, na função de herdeiros das nossas próprias obras.

 Livro: Pensamento e vida -Francisco Cândido Xavier - EMMANUEL

O TRABALHO - A EDUCAÇÃO

Qual é o limite do trabalho?

– O limite das forças; entretanto, Deus deixa o homem livre.

O que pensar daqueles que abusam de sua autoridade para impor a seus inferiores excesso de trabalho?

– É uma das piores ações. 

Todo homem que tem o poder de comandar é responsável pelo excesso de trabalho que impõe a seus subordinados, porque transgride a lei de Deus.

O homem tem direito ao repouso na velhice?

– Sim. Ao trabalho está obrigado apenas conforme suas forças.

Mas que recurso tem o idoso necessitado de trabalhar para viver, se já não pode?

– O forte deve trabalhar pelo fraco e, na falta da família, a sociedade deve tomar o seu lugar: é a lei da caridade.

☼ Não basta dizer ao homem que é seu dever trabalhar, é preciso ainda que aquele que tem de prover a existência com seu trabalho encontre com que se ocupar, o que nem sempre acontece. 

Quando a falta do trabalho se generaliza, toma proporções de um flagelo como a miséria. 

A ciência econômica procura o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo; mas esse equilíbrio, supondo-se que seja possível, não será contínuo, e nesses intervalos o trabalhador precisa viver. 

Há um elemento que não se costuma considerar, sem o qual a ciência econômica torna-se apenas uma teoria: é a educação. 

Não a educação intelectual, mas a educação moral; não ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar o caráter, que dá os hábitos: porque educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. 

Quando se pensa na massa de indivíduos lançados a cada dia na torrente da população, sem princípios nem freios e entregues aos próprios instintos, devem causar espanto as conseqüências desastrosas que resultam disso? 

Quando essa arte for conhecida e praticada, o homem trará hábitos de ordem e de previdência para si e para os seus, de respeito pelo que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos angustiado os maus dias inevitáveis. 

A desordem e a imprevidência são duas chagas que uma educação bem conduzida pode curar; aí está o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, a garantia da segurança de todos.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS-ALLAN KARDEC-QUESTÕES 683 à 685

O AMPARO DOS PAIS AOS JOVENS

Todos os jovens precisam do amparo dos pais, embora na adolescência, em geral, a rebeldia dos filhos seja inevitável. 

Uma tradição de severidade paterna, pautada pelo autoritarismo político e religioso, deu aos pais o conceito errôneo de que devem sujeitar os filhos - e particularmente os jovens - aos seus princípios e maneira de ser. 

Mas os jovens trazem a sua própria personalidade e o seu próprio roteiro de vida, e justamente nessa face da adolescência estão firmando o seu eu diante do mundo.

É conhecido o problema da "crise da adolescência", sobre o qual Maurice Debesse escreveu um dos seus livros mais belos e profundos. 

Mas é em René Hubert, no capítulo sobre a Psicologia da Juventude, de sua "Pedagogia Geral", que encontramos maior sintonia com os princípios espíritas.

Psicólogos e Pedagogos conhecem bem esse problema que responde pelo chamado "conflito de gerações".

Emmanuel nos dá a sua chave ao lembrar que cada espírito já traz para a Terra a sua prova e o seu roteiro de serviço, escolhidos livremente na vida espiritual segundo as suas necessidades de evolução e aprimoramento.

 O amparo dos pais não pode ser dado por meio de imposição e autoritarismo, sob pena de deixar de ser amparo para se transformar em tirania.

Se o "conflito de gerações" sempre existiu no mundo, agora se mostra mais violento porque o tempo da tirania está no fim e porque a era de transição em que vivemos acentua nos jovens os anseios do futuro. 

Os pais só poderão ampará-los se tiverem amor suficiente para compreendê-los e ajudá-los sem exigências. 

Está é também uma hora de aprendizado para os pais. 

E só o amor verdadeiro pelos filhos pode socorrê-los.

O jovem de hoje é o homem de amanhã. 

Os tempos mudam e não podemos querer sujeitá-los ao nosso modelo. 

Qualquer coação paterna só poderá afastá-los de casa e da família, lançando-os a meios e companhias perigosos. 

A verdadeira educação é o equilíbrio entre o amor e a compreensão. 

A energia paterna e a disciplina filial brotam naturalmente entre essas duas margens, fluindo como as águas de uma fonte na paisagem da vida.

Irmão Saulo- Do livro “Na Era do Espírito”. Psicografia de Francisco C. Xavier e Herculano Pires. -

A JUVENTUDE E SUAS TENDÊNCIAS

No estudo das idéias inatas, pensemos nos jovens, que somam às tendências do passado as experiências recém-adquiridas.

Com exceção daqueles que renasceram submetidos à observação da patologia mental, todos vieram da estação infantil para o desempenho de nobre destino.

Entretanto, quantas ansiedades e quantas flagelações todos padecem, antes de se firmarem no porto seguro do dever a cumprir!...

Ao mapa de orientação que trazem das Esferas Superiores, a transparecer-lhes do sentimento, na forma de entusiasmos e sonhos juvenis, misturam-se as deformações da realidade terrestre que neles espera a redenção do futuro.

Muitos saem da meninice moralmente mutilados pelas mãos mercenárias a que foram confiados no berço, e outros tantos acordam no labirinto dos exemplos lamentáveis, partidos daqueles mesmos de quem contavam colher as diretrizes do aprimoramento interior.

Muitos são arremessados aos problemas da orfandade, quando mais necessitavam de apoio amigo, junto de outros que transitam na Terra, à feição das aves de ninho desfeito, largados, sem rumo, à tempestade das paixões subalternas.

Alguns deles, revoltados contra o lodo que se lhes atora à esperança, descem aos mais sombrios volutabros do crime, enquanto outros muitos, fatigados de miséria, se refugiam em prostíbulos dourados para morrerem na condição de náufragos da noite.

Pede-se-lhes o porvir, e arruína-se-lhes o presente.

Engrinalda-se-lhes a forma, e perverte-se-lhes a consciência.

Ensina-se-lhes o verbo aprimorado em labor acadêmico, e dá-se-lhes na intimidade a palavra degradada em baixo calão.

Ergue-se-lhes o ideal à beleza da virtude e zomba-se deles toda vez que não se revelem por tipos acabados de animalidade inferior.

Faia-se-lhes de glorificação do caráter, e afoga-se-lhes a alma no delírio do álcool ou na frustração dos entorpecentes.

Administra-se-lhes abandono, e critica-se-lhes a conduta.

Não condenes a mocidade, sempre que a vejas dementada ou inconseqüente.

Cada menino e moço no mundo é um plano da Sabedoria Divina para serviço à Humanidade, e todo menino e moço transviado é um plano da Sabedoria Divina que a Humanidade corrompeu ou deslustrou.

Recebamos os jovens de qualquer procedência por nossos próprios filhos, estimulando neles o amor ao trabalho e a iniciativa da educação.

Livro “Religião dos Espíritos” – Psicografia Francisco C. Xavier, Espírito: Emmanuel.

EDUCAÇÃO MODERNA - LIBERDADE E RESPONSABILIDADE

Uns condenam a educação moderna, saudosos dos tempos em que as crianças obedeciam aos pais pelo olhar e tremiam diante do mestre. 
Outros aprovam a nova educação sem a conhecer e fazem do seu princípio de liberdade uma forma de abandono. 
Não há liberdade irrestrita, pois a liberdade só pode existir dentro das condições necessárias. 
Um homem solto no espaço, livre até mesmo da gravitação, não pode fazer coisa alguma e perecerá na desolação. 
Para que ele tenha liberdade é preciso que esteja condicionado pelo meio físico, pisando a terra e aspirando o ar, condicionado pelo corpo e pelo meio familiar e social, e assim por diante.
A educação antiga era uma forma de domesticação. 
As crianças eram tratadas como animais. 
A educação moderna, a partir de Rousseau, é uma forma de compreensão. 
O seu princípio básico não é a liberdade, mas a compreensão da criança como um ser em desenvolvimento. 
O seu objetivo não é o abandono da criança a si mesma e sim o cultivo paciente da criança, para que possa crescer sadia no corpo e no espírito. 
Os maus juízos sobre a nova educação provêm do seu desconhecimento pelos pais e pelos mestres, muitos dos quais não possuem aptidão para educar.
Para os órfãos, o trecho citado de 0 Evangelho Segundo o Espiritismo prescreve-nos ajudá-los, livrá-los da fome e do frio, orientar suas almas para que não se percam no vicio. 
Esse o programa da nova educação. 
Seria um contra-senso convertermos os nossos filhos em órfãos, entregues a si mesmos, ao invés de vigiá-los, descobrir-lhes os maus pendores, corrigir-lhes as arestas morais e orientá-los para o futuro.
Os depositários de bens materiais cuidam deles para que não se deteriorem.
O lavrador cuida das suas plantações para que produzam. 
Os pais, depositários de almas, têm responsabilidade muito maior e mais grave que a daqueles. 
Precisam cuidar de seus filhos e ajudá-los para que sejam úteis no futuro.
Irmão Saulo - Do livro “Na Era do Espírito”. Psicografia de Francisco C. Xavier e Herculano Pires.

A EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS E NÓS

Muitos setores das ciências psicológicas asseveram que é indispensável preservar a criança contra a mínima coação, a fim de que venha se desenvolver sem traumas que lhe prejudicariam o futuro. 

Isso, no entanto, não significa que deva crescer sem orientação.

Independência desregrada gera violência, tanto quanto violência gera independência desregrada.

Releguemos determinada obra arquitetônica ao descontrole e teremos para breve a caricatura do edifício que nos propúnhamos construir.

Abandonemos a sementeira a si própria e a colheita se nos fará desencanto.

Exigimos a instituição de um mundo melhor.

Solicitamos a concretização da felicidade comum.

Sonhamos com o levantamento da paz de todos.

Esperamos o reino da fraternidade.

Como atingir, porém, semelhantes conquistas sem a criança no esquema do trabalho a realizar?

Não mergulhará teus filhos nas ondas revoltas da ira quando a dificuldade sobrevenha, e sim não te omitirás no socorro preciso, sem deixá-lo à feição de barco desarvorado ao sabor do vento. 

Não erguerás contra ele a palavra condenatória nos dias de desacerto, a insuflar-lhe, talvez, ódio e rebeldia nos recessos da alma, e sim procurarás sustentá-lo com a frase compreensiva e afetuosa que desejarias ter recebido em outro tempo, nas horas da infância, quando te identificavas nas sombras da indecisão.

Sabes conduzir a criança ao concurso da escola, à assistência do pediatra, ao auxílio do costureiro ou ao refazimento espiritual nos espetáculos recreativos.

Por isto mesmo não lhe sonegues apoio ao sentimento para que o sentimento se lhe faça correto.

Concordamos todos em que a criança necessita de amor para crescer patenteando mente clara e o corpo sadio, entretanto, é impossível efetuar o trabalho do amor - realmente amor - sem bases na educação. 
Livro “Na Era do Espírito”. Francisco C. Xavier e Herculano Pires.

A RESPONSABILIDADE NA EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS

"Vede, não desprezeis alguns destes pequeninos...".Jesus. Mateus, 18:10

Quando Jesus nos recomendou não desprezar os pequeninos, esperava de nós não somente medidas providenciais alusivas ao pão e a vestimenta.

Não basta alimentar minúsculas bocas famintas ou agasalhar corpinhos enregelados. 

É imprescindível o abrigo moral que assegure ao espírito renascente o clima de trabalho necessário a sua sublimação.

Muitos pais garantem o conforto material dos filhinhos, mas lhes relegam a alma a lamentável abandono.

A vadiagem na rua fabrica delinqüentes que acabam situados no cárcere ou no hospício, mas o relaxamento espiritual no reduto doméstico gera demônios sociais de perversidade e loucura que em muitas ocasiões, amparados pelo dinheiro ou pelos postos de evidência, atravessam largas faixas do século, espalhando miséria e sofrimento, sombra e ruína, com deplorável impunidade à frente da justiça terrestre.

Não desprezes, pois, a criança, entregando-a aos impulsos da natureza animalizada.

Recorda que todos nós achamos em processo de educação e reeducação, diante do Divino Mestre.

O prato de refeição é importante no desenvolvimento da criatura, todavia, não podemos esquecer "que nem só de pão vive o homem".

Lembremo-nos da nutrição espiritual dos meninos, através de nossas atitudes e exemplos, avisos e correções, em tempo oportuno, de vez que desamparar moralmente a criança, nas tarefas de hoje, será condená-la ao menosprezo de si mesma, nos serviços de que se responsabilizará amanhã.

Livro Fonte Viva.  Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia Francisco C. Xavier

PORQUE TANTA DELINQUÊNCIA E TERRORISMO NO MUNDO?

P –  Que dizem os amigos espirituais sobre o problema da delinqüência e terrorismo em nossos tempos?

R – Nosso Emmanuel, que tem estado sempre em contato intensivo conosco, sempre afirma que esse quadro de perturbações de nosso tempo é, em grande parte, devido à ausência da influência religiosa nas novas gerações. 

Precisamos encontrar um caminho de ajustamento da nossa alma à idéia de Deus e aos preceitos da Religião, quaisquer que sejam esses preceitos, que nos conduzam para o bem, a fim de que venhamos a encontrar o reequilíbrio de que estamos necessitando. 

A falta de idéia de Deus e a ausência da religião no pensamento da criatura, geram tendências à criminalidade, à violência, à subversão, a dificuldades que chegam, às vezes, até a loucura.


P – Nós poderíamos saber, através de você, de algum modo, a causa profunda dos conflitos da nossa época?

R – Hebe, parece incrível, mas Emmanuel costuma dizer que a era tecnológica pretende, na essência, construir uma civilização sem as mães e isso é um erro muito grande, de modo que, criando dificuldades para a mulher e, especialmente, para a maternidade, estamos condenando a nós mesmos a muitas perturbações, porque a mulher sem apoio entra, naturalmente, em desespero, dando origem a determinadas teorias que não são aquelas do feminismo autêntico, aquele feminismo correto que prepara a mulher para a independência construtiva. 

Dizendo isso, cremos que será justo esquecer as teorias enfermas que levam a mulher à ilusões destrutivas, com as quais se compromete o equilíbrio do grupo social.

Precisamos realmente não reprovar o comportamento da mulher, e sim estudar por que meios conseguiremos auxiliar as nossas irmãs de humanidade, para que se sintam conscientizadas na responsabilidade de serem mulheres com encargos muito mais importantes do que os encargos atribuídos ao homem, porque o homem é a administração e a mulher é o lar, e sem o lar não sustentamos a cúpula com a segurança desejada.

(*) Entrevista realizada por Hebe Camargo, a 17 de setembro de 1973, no Horto Florestal Paulistano, para o seu programa da TV Record, Canal 7,
Livro: “A Terra e o Semeador” – Psicografia de Francisco C. Xavier – Espírito Emmanuel

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