SEMEANDO CONHECIMENTO

SEMEANDO CONHECIMENTO... PARA COLHER AMOR, PAZ, ALEGRIA!


APRENDER PARA FAZER MELHOR ! E NÓS PRECISAMOS FAZER UM MUNDO MELHOR. SABEM PORQUE? PORQUE VOLTAREMOS PRA CÁ...

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"MAS, TENDO SIDO SEMEADO, CRESCE." Jesus. (Marcos, 4:32.)


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O ENSINO DA SEMENTEIRA - FAZER O BEM

Certo fazendeiro, muito rico, chamou o filho de quinze anos e disse-lhe:
— Filho meu, todo homem apenas colherá daquilo que plante. Cuida de fazer bem a todos, para que sejas feliz.
O rapaz ouviu o conselho e, no dia imediato, muito carinhosamente alojou minúsculo cajueiro em local não distante da estrada que ligava o vilarejo próximo à propriedade paternal.
Decorrida uma semana, tendo recebido das mãos paternas um presente em dinheiro, foi à vila e protegeu pequena fonte natural, construindo-lhe conveniente abrigo com a cooperação de alguns poucos trabalhadores, aos quais recompensou generosamente.
Reparando que vários mendigos por ali passavam, ao relento, acumulou as dádivas que recebia dos familiares e, quando completou vinte anos, edificou reconfortante albergue para asilar viajores sem recursos.
Logo após, a vida lhe impôs amargurosas surpresas.
Sua Mãezinha morreu num desastre e o Pai, em virtude das perseguições de poderosos inimigos na luta comercial, empobreceu ràpidamente, falecendo em seguida. Duas irmãs mais velhas casaram-se e tomaram diferentes rumos.
O rapaz, agora sozinho, embora jamais esquecesse os conselhos paternos, revoltou-se contra as idéias nobres e partiu mundo afora.
Trabalhou, ganhou enorme fortuna e gastou-a, gozando os prazeres inúteis.
Nunca mais cogitou de semear o bem.
Os anos se desdobraram uns sobre os outros.
Entregue à idade madura, dera-se ao vício de jogar e beber.
Muita vez, o Espírito de seu pai se aproximava, rogando-lhe cuidado e arrependimento.
O filho registrava-lhe os apelos em forma de pensamentos, mas negava-se a atender. Queria somente comer à vontade e beber nas casas ruidosas, até à madrugada.
Acontece, porém, que o equilíbrio do corpo tem limites e sua saúde se alterou de maneira lamentável. Apareceram-lhe feridas por todo o corpo. Não podia alimentar-se regularmente. Perdeu a fortuna que possuia, através de viagens e tratamentos caros. Como não fizera afeições, foi relegado ao abandono. Branquejaram-se-lhe os cabelos. Os amigos das noitadas alegres fugiram dele; envergonhado, ausentou-se da cidade a que se acolhera e transformou-se em mendigo. Peregrinou pôr muitos lugares e por muitos climas, até que, um dia, sentiu imensas saudades do antigo lar e voltou ao pequeno burgo que o vira crescer.
Fez longa excursão a pé. Transcorridos muitos dias, chegou, extenuado, ao sítio de outro tempo.
O cajueiro que plantara convertera-se em árvore dadivosa. Encantado, viu-lhe os frutos tentadores. Aproveitou-os para matar a própria fome e seguiu para a vila. Tinha sede e buscou a fonte. A corrente cristalina, bem protegida, afagou-lhe a boca ressequida.
Ninguém o reconheceu, tão abatido estava.
Em breve, desceu a noite e sentiu frio. Dois homens caridosos ofereceram-lhe os braços e conduziram-no ao velho asilo que ele mesmo construíra.
Quando entrou no recinto, derramou muitas lágrimas, porque seu nome estava gravado na parede com palavras de louvor e bênção.
Deitou-se, constrangido, e dormiu.
Em sonho, viu o Espírito do pai, junto a ele, exclamando:
- Aprendeste a lição, meu filho? Sentiste fome e o cajueiro te alimentou; tiveste sede e a fonte te saciou; necessitavas de asilo e te acolheste ao lar que edificaste em favor dos que passam com destino incerto...
Abraçando-o, com ternura, acrescentou:
— Porque deixaste de semear o bem?
O interpelado nada pôde responder. As lágrimas embargavam-lhe a voz, na garganta.
Acordou, muito tempo depois, com o rosto lavado em pranto, e, quando o encarregado do abrigo lhe perguntou o que desejava, informou simplesmente:
— Preciso tão somente de uma enxada... Preciso recomeçar a ser útil, de qualquer modo.


O ensino da sementeira - Alvorada Cristã - Francisco Cândido Xavier - Espírito Neio Lúcio

NA ADVERSIDADE

Indagar quanto ao porquê das dificuldades que a vida oferece ao homem será o mesmo que perguntar relativamente aos motivos pelos quais o homem corta a pedra para que a pedra venha a servir.

Abandone-se a enxada ao repouso permanente e, a breve espaço, se fará imprestável.

Negue-se a fonte a transitar sobre os percalços do solo e, a tempo curto, se transformará em tristeza do charco.

A rigor, a adversidade não existiria no mundo se considerássemos as tarefas da existência física por lições.

Fizéssemos isso e todas as provas assumiriam as dimensões que lhes são características, passando à função de testes indispensáveis ao exame dos valores que adquirimos.

Antes de nossa própria reencarnação, muito freqüentemente, sabemos que se tomará novo berço para a recapitulação de experiências em que não fomos felizes, seja para ressarcir débitos que largamos à retaguarda, com o objetivo de extinguir enganos perpetrados por nós mesmos, a fim de nos entregarmos à execução de compromissos alusivos ao burilamento íntimo ou no sentido de reencontrar antigos desafetos para transfigura-los em laços de amor.

Reestruturadas, porém, as possibilidades de ação e renovação a nosso benefício, habitualmente, vestimos em pessimismo as melhores oportunidades de melhoria e de progresso, sem extrair delas o proveito preciso.

Reflitamos em semelhante realidade para facearmos as lutas do caminho sem ilusões.

Aceitemos construtivamente os desafios e problemas que a vida nos proponha, empenhando-nos a soluciona-los com segurança, sem a volúpia de retê-los indefinidamente no coração.

Certifiquemo-nos, sobretudo, de que ninguém evolui sem mudanças e de que não existem mudanças sem atritos ou deslocamentos, conflitos ou desajustes.

À vista disso, reconheçamos que as crises da vida aparecem na estrada de todos em auxílio de todos.

E de toda grande dificuldade, cada criatura, conforme as reações que demonstre, se retirará maior para receber encargos sempre maiores ou novamente ajustados às dimensões de espírito em que ainda se encontra, a fim de entrar outra vez, em ocasião oportuna, no clima da adversidade educativa, para realizar renovados tentames de elevação própria, em cujo trabalho se obriga a revisar-se e recomeçar.


Livro: Abençoa Sempre – Francisco Cândido Xavier

CHICO XAVIER - FRATERNIDADE REAL

Chico Xavier, tem algum fato em sua experiência mediúnica que o tenha obrigado a pensar mais seriamente na fraternidade humana?

R – Todas as mensagens que temos recebido durante o tempo de nossas singelas atividades na seara mediúnica, nos impelem a compreendermos a necessidade de esforço para que cheguemos à fraternidade, sentida, mas respeitando o tempo dos telespectadores, e pedimos sua permissão, lembraremos aqui um fato, de muita significação, que ocorreu em minha vida.

Creio, não deveria levantar qualquer lance autobiográfico, mas é preciso que recorra a um deles para explicar a lição que recebi.

Em 1939, desencarnou-se um de meus irmãos, José Cândido Xavier, deixando sob nossa responsabilidade, a viúva com dois filhinhos.

A viúva de meu irmão era uma moça extraordinária, humilde e bondosa.

Em 1941, ela foi acometida de grave distúrbio mental.

O assunto é longo e vou resumir para que não venhamos a tomar muito tempo.

Depois de alguns meses em que a viúva de meu irmão – que sempre consideramos nossa irmã muito do coração – estava conosco em casa, doente, o caso agravou-se requerendo internação numa casa de saúde mental, o que foi providenciado em Belo Horizonte, com o auxílio de médicos amigos, da cidade de meu nascimento – Pedro Leopoldo – perto da capital de Minas Gerais.

Acompanhei minha cunhada, a quem sempre dispensei muita consideração e carinho e, ao interná-la na casa de saúde mental, observei o estado de muitos enfermos que ali estavam, naturalmente, abrigados, com muita segurança, proteção e assistência.

Voltei para casa com o coração muito abatido. Era noite.

O segundo filho de minha cunhada, com meu irmão, era uma criança paralítica. A criança chorava e eu me enterneci muito ao ver o pequenino sem a presença materna. Sentei-me e comecei a orar.

As lágrimas vieram-me aos olhos, ao lembrar meu irmão desencarnado muito moço ainda, a viúva tão cedo também, numa prova tão difícil!

Na incapacidade de dar a ela a assistência precisa, senti que minha dor era muito grande!

Achegou-se, então, a mim, o Espírito de nosso amigo Emmanuel. Perguntou-me porque chorava.

Contei-lhe que, naquela hora eu me enternecia muito por ver minha cunhada numa casa de saúde mental em condições assim precárias.

– Não! disse ele – você está chorando por seu orgulho ferido; você, aqui, tem sido instrumento para cura de alguns casos de obsessão, para a melhoria de muitos desequilibrados.

Quando aprouve ao Senhor, que a provação viesse debaixo de seu teto, você está com o coração amargurado, ferido, porque foi obrigado a recorrer à assistência médica o que, aliás, é muito natural.

Uma casa de saúde mental, um sanatório, um hospício, é uma casa de Deus. Você não deve ficar assim.

Disse-lhe, então, que concordava e pedi-lhe como espírito benfeitor, que trouxesse a minha cunhada de volta ao lar, pois a criança, o seu segundo filho era paralítico e aquele choro atestava a falta que o pequenino sentia dela.

Ela voltaria – afirmou-me. Mas aquele “Ela voltaria” poderia ser depois de muito tempo – o que de fato aconteceu só depois de dois anos.

– Eu queria que ela voltasse depressa – disse a ele impaciente.

– Imaginemos a Terra – respondeu-me – como sendo o Palácio da Justiça, e ela como sendo uma pessoa incursa em determinada sentença da justiça.

Eu sou seu advogado e você é serventuário no Palácio da Justiça.

Nós estamos aqui para rasgar ou cumprir o processo?

– Para cumprir – respondi.

Continuei, porém, chorando por observar o assunto ser mais grave do que pensava.

– Por que você continua chorando? – disse ele.

Querendo me agastar, muito indevidamente, porque a minha atitude era desrespeitosa, diante de um amigo espiritual tão grande e tão generoso, disse-lhe:

– Estou chorando porque, afinal de contas, o senhor precisa saber que ela é minha irmã!

– Eu me admiro muito – respondeu-me – porque, antes dela, você tinha lá dentro naquela casa, trezentas irmãs e nunca vi você ir lá chorar por nenhuma.

A dor Xavier não é maior que a dor Almeida, do que a dor Pires, do que a dor Soares, a dor de toda a família que tem um doente.

Se você quer mesmo seguir a doutrina que professa, ao invés de chorar por sua cunhada, tome o seu lugar ao lado da criança que está doente, precisando de calor humano.

Substitua nossa irmã, exercendo, assim, a fraternidade.

– Foi uma lição que não posso esquecer!

Livro “Entrevistas”. Emmanuel / Francisco Cândido Xavier.

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